Dr Adalikwu defende um ecossistema regional de formação marítima: a OMAOC lança um programa histórico de intercâmbio
A Organização Marítima da África Ocidental e Central (OMAOC) lançou um programa inédito de intercâmbio entre três importantes instituições de formação marítima da região.
A Organização Marítima da África Ocidental e Central (OMAOC) iniciou um plano estratégico com vista à estruturação de um espaço regional integrado de formação marítima. Durante uma visita de intercâmbio de quatro dias à Maritime Academy of Nigeria (MAN), em Oron, no Estado de Akwa Ibom, o Secretário-Geral da organização, Dr. Paul Adalikwu, reafirmou o compromisso da OMAOC em colmatar o défice de capital humano marítimo por meio de sinergias concretas entre as instituições de formação da região.
O evento reuniu três instituições de referência: as duas universidades da OMAOC — a Regional Maritime University (RMU), em Acra (Gana), a Académie Régionale des Sciences et Techniques de la Mer (ARSTM), em Abidjan (Costa do Marfim), e a Maritime Academy of Nigeria (MAN), em Oron. Trata-se de uma iniciativa inédita na história da cooperação marítima regional.
Por que esta iniciativa é estratégica
Mais de 90% do comércio da região da África Ocidental e Central é realizado por via marítima. No entanto, a capacidade dos Estados-membros de tirar pleno proveito dos seus recursos marítimos continua fortemente dependente da qualidade dos recursos humanos formados localmente. É esse contexto que fundamenta a urgência da iniciativa liderada pela OMAOC.
O Dr. Adalikwu identificou vários desafios que as instituições de formação precisam enfrentar com urgência: a transformação digital e a integração de tecnologias emergentes, a descarbonização e a conformidade ambiental, bem como as questões de segurança marítima no Golfo da Guiné. Soma-se a esses desafios a necessidade de alinhar os padrões de formação com as normas internacionais, de modo a garantir o reconhecimento global das certificações africanas.
Um quadro de cooperação ambicioso
A colaboração entre as três instituições visa estabelecer uma plataforma comum estruturada em torno de vários eixos: a harmonização dos currículos e dos padrões de formação, a organização de intercâmbios de docentes e estudantes, a partilha de infraestruturas e resultados de investigação, o desenvolvimento de programas conjuntos de certificação em conformidade com normas internacionais, bem como o reforço de uma identidade regional no ensino marítimo.
“Não estamos apenas a construir uma cooperação, mas sim um verdadeiro ecossistema regional de conhecimento marítimo”, afirmou o Dr. Adalikwu. Esta visão está alinhada com as prioridades estratégicas da OMAOC, que incluem o desenvolvimento de uma mão de obra marítima qualificada, a promoção de um transporte marítimo seguro e eficiente, o reforço da integração regional e o apoio à Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZLECAf), bem como ao comércio intra-africano.
A organização pretende igualmente direcionar as sinergias para a investigação sobre fontes alternativas de energia para a navegação, assim como apoiar iniciativas de grande impacto, como a criação de um Banco Regional de Desenvolvimento Marítimo.
Instituições comprometidas
O Reitor interino da MAN Oron, Dr. Kevin Okonna, saudou a realização desta visita inaugural em solo nigeriano. Recordou que um memorando de entendimento já havia sido assinado com a RMU do Gana durante a cerimónia de graduação de novembro de 2025, e que a MAN Oron estabeleceu recentemente uma parceria semelhante com a Administração Marítima da Libéria. Expressou ainda confiança na capacidade desses intercâmbios para reforçar a conformidade das instituições com os padrões da Convenção STCW (Standards of Training, Certification and Watchkeeping).
Do lado ganês, o Vice-Reitor interino da RMU, Dr. Jethro Brooks, apelou a todas as instituições de formação da região para aderirem a esta dinâmica, sublinhando que “os desafios de África são melhor superados pela colaboração do que pelo isolamento”. Destacou também o posicionamento estratégico da RMU na formação de recursos humanos altamente qualificados e competitivos a nível internacional.
O Coronel Karim Coulibaly, Diretor-Geral da ARSTM de Abidjan, qualificou a iniciativa como “um marco fundador” para elevar a formação marítima africana aos mais elevados padrões internacionais, reafirmando o total apoio da sua instituição.
Por fim, o Sr. William Azuh, antigo responsável pela Secção África da Subdivisão de Desenvolvimento Marítimo da Organização Marítima Internacional (OMI), descreveu o encontro como uma “medida ousada e oportuna” para impulsionar a formação marítima nos Estados-membros da OMAOC.
Perspectivas
Esta visita de intercâmbio marca o início de um processo de longo prazo. Os resultados esperados — intercâmbios académicos, harmonização de diplomas, co-investigação e maior visibilidade internacional das certificações africanas — poderão transformar profundamente o panorama da formação marítima na África Ocidental e Central. A OMAOC pretende capitalizar esta dinâmica para posicionar a região como um ator incontornável da economia marítima global.




