Moçambique – Chapo Defende Economia Azul com Mais Investimento e Resultados
O Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, defendeu esta quinta-feira uma mudança de paradigma na abordagem ao desenvolvimento da economia azul, afirmando que chegou o momento de transformar compromissos e declarações políticas em acções concretas capazes de gerar emprego, crescimento económico e redução das desigualdades sociais.
O posicionamento foi apresentado durante a cerimónia de abertura da III Conferência Internacional Crescendo Azul, realizada em Maputo, evento que reúne decisores políticos, especialistas, investidores e parceiros de desenvolvimento para debater o aproveitamento sustentável dos recursos marinhos e costeiros.
Na sua intervenção, o Chefe do Estado destacou que o potencial económico dos oceanos representa uma das maiores oportunidades para impulsionar o desenvolvimento sustentável em África, defendendo uma actuação mais rápida e coordenada entre governos, sector privado e parceiros internacionais.
Segundo Daniel Chapo, o verdadeiro desafio da actualidade não está na formulação de novas estratégias, mas na capacidade de transformar o vasto património marítimo existente em benefícios concretos para as populações.
“O tempo das declarações já passou. O desafio agora é acelerar a implementação de soluções capazes de gerar emprego, riqueza e oportunidades para os nossos cidadãos”, afirmou.
O Presidente defendeu igualmente uma nova abordagem ao financiamento climático e aos investimentos ligados à economia azul, rejeitando perspectivas assistencialistas e apelando à construção de parcerias assentes em interesses comuns e benefícios mútuos.
Para o estadista, África não procura caridade, mas sim investimentos sustentáveis que permitam desenvolver infra-estruturas, promover inovação tecnológica e criar cadeias de valor associadas aos recursos marinhos.
Daniel Chapo considerou que a conferência representa um momento decisivo para reforçar a cooperação internacional e acelerar a implementação de políticas voltadas para o aproveitamento sustentável dos oceanos.
O Chefe do Estado destacou ainda o crescente reconhecimento mundial do papel dos oceanos como motores do desenvolvimento económico, da segurança alimentar e da estabilidade climática.
Ao abordar a ligação histórica do continente africano ao mar, recordou que o Oceano Índico sempre foi uma via de comunicação, intercâmbio cultural e comércio entre povos.
“Quando os nossos antepassados contemplavam o horizonte do Oceano Índico, não viam uma fronteira, mas sim possibilidades”, afirmou.
O Presidente acrescentou que grande parte da história económica e cultural de África foi construída através das rotas marítimas, desempenhando os oceanos um papel central na circulação de pessoas, mercadorias e conhecimento.
No caso específico de Moçambique, destacou a relevância histórica dos portos da Ilha de Moçambique, Sofala, Angoche e Inhambane, que ao longo dos séculos contribuíram para a integração económica do país e para o fortalecimento das suas ligações com diferentes regiões do mundo.
Referindo-se ao lema da conferência — “Futuro Azul: Acelerando a Sustentabilidade Económica” —, Daniel Chapo afirmou que a mensagem traduz a urgência de acelerar a implementação das políticas e compromissos já assumidos a nível internacional.
O Presidente alertou ainda para a importância estratégica dos oceanos no século XXI, sublinhando o seu papel na regulação do clima global, na preservação da biodiversidade e na garantia da segurança alimentar para milhões de pessoas.
Neste contexto, defendeu a expansão da economia azul para áreas emergentes como as energias renováveis oceânicas, a biotecnologia marinha, a aquacultura sustentável e o ecoturismo, sectores que poderão criar milhares de postos de trabalho e gerar novas oportunidades para jovens e mulheres.
Daniel Chapo reiterou igualmente a importância de uma gestão sustentável dos recursos marinhos, capaz de assegurar que o crescimento económico seja compatível com a preservação dos ecossistemas e com a protecção das gerações futuras.
No encerramento da sua intervenção, o Presidente reafirmou a posição estratégica de Moçambique no Canal de Moçambique e no Oceano Índico, considerando que o país reúne condições privilegiadas para se afirmar como uma plataforma regional de desenvolvimento da economia azul.
O Chefe do Estado apelou ainda ao reforço da cooperação entre governos, instituições financeiras, sector privado e organizações internacionais para acelerar investimentos e promover uma economia azul mais inclusiva, resiliente e sustentável.
“A construção de um futuro azul exige acção, inovação e compromisso colectivo. Precisamos de transformar o potencial dos nossos oceanos em prosperidade partilhada para todos”, concluiu.
A III Conferência Internacional Crescendo Azul decorre num contexto de crescente atenção global ao papel dos oceanos no desenvolvimento sustentável, colocando Moçambique entre os países que procuram posicionar-se como referências na promoção de uma economia marítima moderna, inclusiva e ambientalmente responsável.
Fonté : Presidente da República de Moçambique


